quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SAUDADE.

"É de manhã bem cedo, a rua deserta. Na primeira hora, sinto falta de você..."
Pato Fu - Saudade

Mentir para meus pais é algo que tenho feito com frequência esse ano.

Menti que iria fazer uma prova ontem.

Eu não fui. Tive que desaparecer por quatro horas.

E pra onde ir?

Comecei a caminhar exatamente as sete e meia da manhã.
E meus passos me guiaram até seu condomínio.

Uma hora de caminhada. Oito e meia. E eu sabia que você não estaria acordada.

Sabia que estaria dormindo seu sono precioso.

E mesmo assim, lá estava eu, em frente a seu condomínio, observando.

Te liguei, e enquanto esperava você me atender, procurava uma razão pra estar ali.

Você não atendeu. A ligação caiu. Não tornaria a ligar. Pelo menos não tão cedo.

Decidi ir à Caixa d'água, onde fizemos nosso pique-nique. Aquele com bolo de fubá cremoso,bolo de chocolate, bolo de cenoura...

O caminho de volta parecia mais difícil, como se estivesse abrindo mão de algo. E estava.

Cheguei na caixa d'água. Sentei, e ainda eram nove e quarenta e cinco. Não podia voltar pra casa ainda.

Peguei o livro que estava na minha bolsa. Aquele da Fernanda Young que não devolvemos pra Biblioteca há quatro anos.

E percebi que tudo me lembra você. E o tempo que estou perdendo sem estar por perto.

O tempo. O tempo que é o que de mais precioso temos.

Ouvindo: Leonard Cohen - Sisters of Mercy

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